Quando falamos em roteiro cinematográfico, pensamos em Syd Field, regras, padrões, normatizações, formatações e outros ões pertinentes à técnica do craft. Mas o roteiro não deve, a rigor, obedecer ao manual. Opa! Comecei o blog apresentando a vocês o roteiro como ofício técnico e agora o liberto dessa amarra? Não. Quero lembrar que nem todo o filme depende do roteiro como forma, e permite uma liberdade de discurso imagético ao seu diretor. São os casos clássicos da nouvelle vague e de seu irmão brasileiro, o cinema novo.
Lembre-se de que, nesses casos, não prevalece conceito de indústria, à qual o roteirista profissional estabelece uma relação íntima.
Contudo, nos referimos aqui a um cinema experimental. Em sua própria denominação encontramos razões para se abandonar as "limitações" do roteiro cinematográfico. Tudo bem. O cinema também existe para isso: viajar, testar, provocar, encantar...
Mas qual seria – se é que há – o segredo do empirismo no script? Ilustro:
Durante minha adolescência, viciei-me em patinar. Começou como moda entre os amigos. Tínhamos péssimos rollerblades e mal saíamos do lugar nos primeiros dias. Andávamos numa área pequena em terreno plano e adequado à prática. Com o passar do tempo, começamos a patinar no Parque da Cidade, em Brasília, então começamos a construir minirrampas, pular quebra-molas, pegar "rabeira" em caminhões e, eu, ficava cruzando a cidade a bordo do meu Oxygen, até passar a fazer tímidas manobras em half-pipes.
Entenderam?
Na prática do roteirista, não há espaço para experimentação pela experimentação. É preciso desvendar os mistérios do screenwriting antes. Praticar o básico, conhecer as regras e dominar os conceitos antes de sair por aí fazendo manobras.
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