terça-feira, 18 de outubro de 2011

Workshop de roteiro, dramaturgia e diálogos

O Workshop Ponto de Virada da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, é realizado todos os sábados, às 14h, no espaço cultural. Os próximos convidados das oficinas serão o roteirista afiliado da Autores de Cinema (AC) David França Mendes (22/10), o ator e comediante Gregório Duvivier (29/10) e o dramaturgo Jô Bilac (12/11). Quem não se inscreveu para o curso inteiro, poderá fazer aulas avulsas a preços específicos. Mais informações no Núcleo de Roteiro e Dramaturgia da CAL: (21) 2225-2384.

Nas quintas-feiras de novembro, a Casa realiza também a primeira edição do workshop de diálogos "Do Dizer ao Indizível", com Marcia Zanelatto. Para o curso é exigida experiência prévia ou cursos anteriores de iniciação em roteiro ou dramaturgia. Inscrições abertas aqui.  

sábado, 24 de setembro de 2011

Inscrições para pitching de pilotos de TV vão até o dia 30/9


O Festival Internacional de Televisão do Instituto de Estudos de Televisão (IETV) recebe inscrições para a Mostra Competitiva de Pilotos Brasileiros até o dia 30 de setembro. O concurso é considerado o maior pitching do país voltado para produções independentes de TV.

O Festival Internacional de Televisão 2011 será realizado de 16 a 23 de novembro, no Oi Futuro Flamengo (RJ).

Serão selecionados cerca de 30 pilotos brasileiros inéditos, nas categorias entretenimento, jornalismo e ficção. O júri é formado por executivos de programação das principais redes de televisão do país, o que faz da mostra o maior e mais abrangente pitching aberto do país.

Entre os jurados deste ano estão Luis Erlanger, da Rede Globo; Hélio Vargas, da Band; Flávia Lima, do GNT; e Zico Góes, da MTV.

As inscrições podem ser feitas pelo site do Instituto: www.ietv.org.br.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Workshop de gênero com Robert McKee


Robert Mckee não é como esses self-proclaimed gurus de roteiro cinematográfico. Eu atendi ao seu clássico seminário Story, em São Paulo, e o que percebo é que as lições de McKee não seguem a cartilha da auto-ajuda profissional para o roteirista em crise, como muitos fazem. Defendo que desenvolver um roteiro é uma tarefa técnica. E realmente é. Muitos professores podem ensinar a se escrever roteiros. Mas o McKee não ensina. Sua ênfase é na história. Este sim elemento subjetivo, onde regras rígidas não cabem. Existem padrões, estruturas, etc., mas o que faz a diferença é a criatividade e o esmero em amarrar as pontas soltas. Defino o seminário do McKee, por experiência própria, como divisor de águas. Indispénsável para roteirstas, novelistas, cineastas e sei lá mais quem.

Faço esta pequena introdução para avisar a vocês que ele ministrará um outro famoso workshop, novamente em São Paulo, de 10 a 13 de setembro de 2011, novamente no Teatro das Artes do Shopping Eldorado (Av. Rebouças 3.970, loja 409, Pinheiros). Será o seminário Genre, voltado especificamente para os gêneros cinematográficos, como o nome entrega. A ideia é discorrer sobre conceitos básicos, estruturas e características de cada gênero (thriller, comédia, romance e horror).

Inscrição R$ 1.400,00 (cartões de crédito Visa, Master e Amex, parcelado em 3 vezes). Os preços diminuem para quem participou do seminário do ano passado, ou se for comprado dentro de eventos e festivais de cinema. O workshop terá tradução simultânea para o português e acontecerá nos seguintes horários: 10/9, das 9h às 20h; 11/9, das 8h30 às 19h30; e nos dias 12 e 13, segunda e terça-feira, das 9h às 20h30. Informações e inscrições pelo site da Dellarte www.dellarte.com.br/robertmckee.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Curso de roteiro com Guillermo Arriaga

Defendo que a melhor forma de melhorar sua escrita e entendimento de roteiro cinematográfico é participando de cursos, palestras, debruçando-se em leituras técnicas e se metendo em expos, seminários e coisas do tipo. Claro, e mais sentar a bunda na cadeira e praticar.

Por isso, aí vai uma oportunidade legal. O mesmo pessoal que produz o seminário do mestre Robert McKee (que sempre recomendo não só para roteiristas, como a qualquer pessoa que trabalhe com cinema) agora gira a América Latina com o curso de roteiro de Guillermo Arriaga, o escritor/diretor mexicano conhecido por seus mosaicos narrativos de Amores Brutos, Babel, 21 Gramas e Vidas que se Cruzam.

Será nos dias 28 e 29 de outubro, no Chile. Informações e ingressos você encontra por aqui.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Por que um script pode salvar ou afundar superproduções


Por Tiago Faria
(publicado originalmente na edição de 1/8/2011 do Correio Braziliense)

“Sou um professor, não um guru”, avisa Tom Stempel, logo no começo do livro Por Dentro do Roteiro, que chega ao Brasil pela Editora Zahar. A intenção do autor, que dá aulas há mais de 35 anos no Los Angeles City College, não poderia ter sido apontada com mais clareza. Antes que o acusem de didatismo, ele explicita que está aqui, sim, para ensinar — e sem as divagações de um ensaio de filosofia. A complicação é que, no caso, o “material didático” permite diversas interpretações, para o bem e para o mal: em 304 páginas, Stempel analisa 21 roteiros de cinema, além de fazer comentários sucintos para outros 32. Não cria suspense — separa os scripts em “bons”, “não tão bons” e “ruins”.

Regra do jogo

Para evitar mal-entendidos, o escritor determina a regra do jogo: “Em um filme, a história é essencial. Um bom roteirista é importante mesmo para grandes diretores, como David Lean e Alfred Hitchcock.” Ao convidar o leitor para observar os filmes “do ponto de vista do roteiro”, Stempel nega a noção de que o cineasta é o autor soberano dos longas-metragens que dirige. Pelo contrário, ele afirma: quando um aluno avisou que queria filmar “cinema puro, como Hitchcock”, o professor deu uma aula sobre o detalhismo do roteiro de John Michael Hayes — que descreve, com rigor literário, cada uma das reações dos personagens. “Ainda espero pelo dia em que cada roteirista tenha espaço nos extras para reclamar sobre como o diretor arruinou seu trabalho”, provoca.

Polêmicas à parte (e muitas delas não resistem a uma leitura mais crítica), o valor de Por Dentro do Roteiro está no fato de que Stempel é um “historiador de Hollywood”. Ele conhece, por isso, os bastidores da produção de grandes sucessos, como Lawrence da Arábia (1962) e Fargo (1996). A graça, para o leitor que não pretende tomar o livro como uma cartilha, está em descobrir as etapas criativas de filmes consagrados ou gongados pela crítica. A prosa informal de Stempel não mostra, porém, muitas sutilezas: é com a fúria de um estudante de cinema, aliás, que ele desmonta os supostos defeitos de Titanic (1997), uma produção que naufraga nos conceitos do escritor.

Faça você mesmo

Para Stempel, o bom roteiro segue regras maleáveis; que podem funcionar para um filme, mas não necessariamente para outro. Um desses dogmas decreta que o roteirista deve, em vez de explicar, mostrar. A outra é que as situações devem ser plausíveis, verossímeis. Não há, por sinal, nenhum filme de cineastas menos cartesianos, como David Lynch, na cartilha do professor. Aos novatos, ele faz uma recomendação que nada tem de autoajuda: assistir repetidamente os bons filmes e se perguntar sobre como o roteiro chegou a essa ou àquela solução. O objetivo é que, no fim do “curso”, o aluno desenvolva senso crítico para julgar, por conta própria, a qualidade dos argumentos.

Autor de livros como Screenwriting (1982), Stempel desenterra histórias que mostram, por exemplo, como Lawrence da Arábia quase se transformou num épico sombrio, de tons políticos — e foi rejeitado pelo diretor David Lean por conter “assaltos a trens demais”. Ao contrário de Syd Field, que determinou regras fixas para que Hollywood fabricasse roteiros eficientes, Stempel admite que filmes “errados” também podem dar muito certo: caso do francês Viagem do Coração, de 2003. “No filme, as coisas não acontecem quando deveriam acontecer... mas simplesmente quando... bem, quando acontecem”, escreve — agora, já não tão cheio de certezas.

Por Dentro do Roteiro – De Tom Stempel. Tradução de Maria Inês Duque Estrada. Editora Zahar. 304 páginas. R$ 44.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Haja paciência para roteiro preguiçoso

Há muito não ia ao cinema como espectador regular. Normalmente é na correria: em cabine para a imprensa pela manhã; esmagado em sessões de pré-estreias brarulhentas; naquela escapadinha ao final da tarde para pegar uma mostra ou um filme prestes a sair de cartaz.

Pois no sábado à noite, programei-me de ir ao cinema, não com o mero objetivo de assistir ao filme, mas como parte do programa social praticado por pessoas normais, que o empreendem na maioria das vezes (ou não, sei lá) acompanhadas de seus respectivos pares ou grupo de amigos, pagando pelo ingresso. No meu caso, inteira.

Pois engajei-me no ritual básico para "pegar um cineminha": passeamos, nega e eu, no shopping (neste caso, o CasaPark), lanchamos, conversamos, pagamos os bilhetes para uma comédia de fácil digestão, compramos pipoca, refri e confeitos, entramos na sala, sentamos lá no alto, desligamos os celulares e assistimos a trailers (coisa raríssima em minha rotina) antes de começar o filme eleito: Santa Paciência.

Findo o filme, não me arrependi do programa. Afinal, estava acompanhado da minha nega, que elevou a qualidade do programa para muito além da bobajada projetada na telona do Embracine.

Mamoud (centro): comediante stand-up arranca alguns risos

Antes de prosseguir, advirto que arrisco uma crítica no escuro agora. Ou seja, sem pesquisa nem nada. Entendam, fui à paisana.

Independentemente do título (que no original é O Infiel), revesti-me de muita boa vontade. Mas foi duro tolerar a preguiça mental que bateu no roteirista na terceira parte do filme – uso da prerrogativa de ter ido à paisana ao cinema para justificar a falta de referências a diretor e equipe desta produção, aparentemente, britânica.

Rimos um bocado, a nega e eu, do Mamoud Nasir, personagem central da trama, interpretado por um comediante stand-up inglês com traços árabes. Sujeito engraçado, mas o texto não ajuda muito. A premissa é instigante e um tanto provocativa – como uma boa comédia deve ser.

Mamoud é um muçulmano relapso, não é muito de orar ou frequentar a mesquita, é chegado em uma cervejinha e louco em futebol e no cantor pop oitentista Gary alguma coisa. Além disso, ele é declaradamente contra o extremismo islâmico e até sugeriu uma união entre xiitas e sunitas em um artigo enviado a um tablóide (e não publicado), apesar de ensinar expressões radicais à sua filha caçula.

Mas o camarada precisará praticar sua religião com mais ardor quando o filho mais velho resolve querer casar-se com a filha do líder extremista islâmico Arshad El-Masri. Mas o religioso quer, antes de dar sua bênção, ver com os próprios olhos a devoção da família do garoto.

Só que, no meio deste turbilhão, Mamoud limpa a casa de sua mãe recentemente falecida, quando encontra sua certidão de nascimento. E descobre ter sido adotado. Quando vai atrás dos seus pais biológicos, descobre que seu nome é Solly alguma coisa Witz. Ou seja, sua descendência é judia.

Mamoud em seu processo de "conversão" ao judaísmo

Sorrateiramente, ele começa a revisitar suas raízes (e precisa aprender a se comportar como judeu para conseguir visitar seu pai enfermo, vigiado 24/7 por um rabino caxias). Para isso, conta com ajuda de um vizinho que odeia, um americano que encarna o mais claro estereótipo do judeu novaiorquino.

Isso tudo leva a situações hilariantes, como a uma discussão interessante da milenar rivalidade entre paquistaneses e israelenses, mas com uma sátira pouco afiada. O que, até aí, tudo bem. Quando o roteiro conforma-se ao mais preguiçoso, óbvio e tolo desfecho da regra Syd Field, concluo: à paisana ou não, falta-me paciência para este tipo de coisa.

quarta-feira, 30 de março de 2011

VIPs, exemplar do bom roteiro brasileiro

É inevitável lembrar de Prenda-me se For Capaz (2002), de Steven Spielberg, diante da premissa de VIPs, filme de Toniko Melo vencedor do Festival do Rio no ano passado. O diretor não gosta da comparação. E digo que as semelhanças resumem-se meramente aos temas em comum: um falsário da vida real apaixonado por aviação.

São duas produções absolutamente distintas. A primeira tem o esmero grandiloquente da marca Spielberg, que conhecemos bem e tem lá suas qualidades e defeitos. A respeito da segunda, também destaco o zelo, mas neste caso no trato do roteiro, técnica e criativamente. E é de onde VIPs parte para tomar uma direção muito própria,   esvaziando o próprio argumento comparativo com o filme hollywoodiano sobre o picareta Frank Darabont Jr..

Até porque, Spielberg quer criar mais um herói americano, reconhecer o brilhantismo do personagem e ainda propor um grande thriller policial. Os roteiristas Bráulio Mantovani e Thiago Dottori dispunham de elementos muito semelhantes, mas preferiram transformam a pequena saga de um rapaz tímido, cujo sonho era tornar-se piloto como seu pai, em um drama humano.

VIPs tem seu próprio cara-de-pau: Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido na vida real como o sujeito que se passou pelo filho de Nenê Constantino, dono da companhia aérea Gol. Wagner Moura, que não precisa mais apresentar qualquer atestado de competência, encarna muito bem esse papel de nuances profundas, que beiram o psicologismo (e dele escapam com sucesso).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Roteiro em que "nada acontece"

Sempre que estudamos roteiro, assistimos a palestras ou lemos livros didáticos sobre o assunto, aprendemos que, independentemente de receitas ou gêneros, os personagens precisam sofrer alguma transformação (podem ser várias até) e a história precisa causar no espectador esta sensação.

Não escrevo este post para discorrer sobre a fórmula básica da construção de um personagem ou do primeiro turning point da trama. O protagonista depende da empatia do público para alcançar a transformação. As regrinhas do roteiro cinematográfico de Hollywood ditam que você precisa enchê-lo de falhas para que supere no desenlace e chegue à resolução num processo de transformação quase concluído.

Mas isso não significa que você precise seguir a cartilha. Não é preciso também consertar todas as falhas dos seus protagonistas e fazê-lo superar barreiras incomensuráveis para que reconheçamos a evolução do personagem.

A solução é trabalhar a empatia do personagem, criar interesse em sua rotina, seu dia a dia, esconder seus pensamentos em expressões e permitir que o próprio espectador o desvende. Esta não é uma tarefa fácil, até porque não há um guia para este tipo de desafio, apenas referências. O resto fica a cargo da engenhosidade do roteirista em criá-lo e largá-lo neste mundo inóspito da ficção.

Roteiros como esses, em que a transformação é gradativa, paulatina e pode ser muito sutil pode ser grosseiramente classificado como um roteiro em que "nada acontece". Diz-se isto devido à falta de uma motivação clara para a jornada do personagem.

Escrevo este texto inspirado em dois filmes que assisti recentemente e em que "nada acontece": Café Lumière, na última sessão da mostra do cineasta taiwanês Hou Hsiao-Hsien, encerrada domingo passado no CCBB Brasília; e Transeunte, de Eryk Rocha, filho de Glauber, que levou o prêmio da crítica no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ano passado.

Começo pelo primeiro, que vi depois:

Hsiao-Hsien apresenta-nos Yoko, uma jovem japonesa de idade universitária. Ela se encontra com um amigo numa loja de livros e discos e fala de um compositor taiwanês. Ele a entrega CDs de Jiang Wen-Ye. Anda de metrô, trem, vai para casa.

Não há obstáculos ou desafios propostos a Yoko. Mas queremos saber para onde vai esta garota, o que faz,  porque anda tanto. Ela então vai à casa dos pais (é uma viagem consideravelmente longa). Ela revela à sua mãe: "Estou grávida. Mas fique tranquila porque não vou me casar. Posso cuidar sozinha dele". A mãe não diz nada e no dia seguinte comenta com o marido: o que vamos fazer?

E Yoko volta à sua rotina diária. Só que agora sabemos que ela está grávida. Ela não faz nada de muito diferente do que fazia. O espectador a olhará de forma diferente. Está curioso. Afinal, quem é o pai? Porque ela tanto anda pela cidade, tomando vários trens? Ela está grávida, não pode exigir tanto de si. Então descobrimos que este é o seu trabalho: percorrer lugares em busca de informações sobre o tal compositor, sobre quem ela escreve uma biografia.

Nada é dito, são apenas ações.

Costumo ver em filmes silenciosos como este (também Transeunte, de qual falo a seguir) o melhor exercício que um roteirista pode fazer no início de sua carreira. Ação é o mínimo necessário e o mais importante do roteiro.

Transeunte é um pouco mais radical neste sentido do silêncio. Tem raríssimos diálogos. Expedito é um senhor aposentado, flamenguista roxo. Vive só, com seu radinho de pilha pendurado no ouvido. E é muito incômodo atravessar os primeiros minutos da trajetória do personagem sem vê-lo se relacionar com outras pessoas. Nada acontece, mas a angústia de vê-lo nesta solidão é o suficiente para ganhar o espectador. Afinal, queremos vê-lo socializar-se. Em algum momento ele chega a um bar com música ao vivo. Mas senta só. Outros clientes são lembrados. Ele não existe.

Quando uma sobrinha toca sua campainha, com um bolo na mão e desejando-o parabéns, há um breve consolo, o espectador fica aliviado por vê-lo ter alguma importância no mundo. Mas ela o deixa em minutos para voltar ao namorado. Volta a solidão. Em seguida, ele vai ao Maracanã torcer pelo Flamengo. O time ganha. Há muita gente em volta, mais um alívio. E, logo, a solidão.

Expedito, em suas andanças pela cidade, depara-se com uma loja de óculos escuros. Prova alguns, dá um belo sorriso e recupera sua autoestima. Eis a transformação do personagem. Agora, ele pode andar de cabeça erguida. Ao fim de sua jornada, Expedito volta àquele bar. É convidado a cantar a próxima música na roda da seresta. Ganha cumprimentos, é aplaudido, recobra a importância que outrora tivera.

Bastaram-se ações.

A dica do dia, portanto, é a seguinte:

Ao escrever o roteiro, esqueça diálogos, transições, cenas, descrições. Escreva primeiramente as ações. Faça-as eficazes. É aí que você descobrirá seu personagem. Lembre-se: o personagem precisa dialogar com o meio em que vive, como a Yoko, aos poucos nos fazendo conhecê-la; ou Expedito, aos poucos se fazendo conhecer-se.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Roteiro do cinema experimental

Quando falamos em roteiro cinematográfico, pensamos em Syd Field, regras, padrões, normatizações, formatações e outros ões pertinentes à técnica do craft. Mas o roteiro não deve, a rigor, obedecer ao manual. Opa! Comecei o blog apresentando a vocês o roteiro como ofício técnico e agora o liberto dessa amarra? Não. Quero lembrar que nem todo o filme depende do roteiro como forma, e permite uma liberdade de discurso imagético ao seu diretor. São os casos clássicos da nouvelle vague e de seu irmão brasileiro, o cinema novo.

Lembre-se de que, nesses casos, não prevalece conceito de indústria, à qual o roteirista profissional estabelece uma relação íntima.

Contudo, nos referimos aqui a um cinema experimental. Em sua própria denominação encontramos razões para se abandonar as "limitações" do roteiro cinematográfico. Tudo bem. O cinema também existe para isso: viajar, testar, provocar, encantar...

Mas qual seria – se é que há – o segredo do empirismo no script? Ilustro:

Durante minha adolescência, viciei-me em patinar. Começou como moda entre os amigos. Tínhamos péssimos rollerblades e mal saíamos do lugar nos primeiros dias. Andávamos numa área pequena em terreno plano e adequado à prática. Com o passar do tempo, começamos a patinar no Parque da Cidade, em Brasília, então começamos a construir minirrampas, pular quebra-molas, pegar "rabeira" em caminhões e, eu, ficava cruzando a cidade a bordo do meu Oxygen, até passar a fazer tímidas manobras em half-pipes.

Entenderam?

Na prática do roteirista, não há espaço para experimentação pela experimentação. É preciso desvendar os mistérios do screenwriting antes. Praticar o básico, conhecer as regras e dominar os conceitos antes de sair por aí fazendo manobras.